Diário de Bordo da Capitã

Querido Diário

Uma Deusa na minha frente, sua beleza deslumbra-me, tudo é luz, ela me encara com um sorriso delicado, então caio na conta que estou completamente nua. Muita coisa está fora do lugar aqui, cadê as coisas, tudo é feito de luz mesmo, credo! -“Eu morri de novo, né?” Pergunto para a entidade Divina à minha frente, sem saber se não é desrespeito, não cobrir meus encantos -“Você é Deus?”. -“Eu sou a convergência de todos os campos quânticos do universo, em uma forma que você possa entender, (igualzinho ao filme da Disney, certo?) Pode me chamar de Kami”, ela diz piscando um olho e rindo baixinho -“E não, menina. Você não morreu, ainda; mas assim que voltar, faça o favor de sair dessa zona de conforto, tá? No final você quer viver para quê? Ganhou o maravilhoso dom da magia, e a última ‘proeza’ que você fez, foi há quanto tempo? Aquela vez que segurou a enchente para evitar se molhar a sagrada bundinha da escultura de Nossa Senhora… Cadê a arquimaga ninja que meditava por horas e ralava duro todo dia! -Pretende lembrar como voar, quando, desse jeito? Faça alguma coisa mulher! Mexa essa sua bundinha boneca! Honra teus dons, pelo amor de Deus! Eles não podem ser negligenciados. Dons desvairados ferem quem os possui e quem ama você. Volta a escrever no diário, nem que seja, meu bem. Escrever é teu alô para dar ordem a tua vida e modelar o presente.

-Já passou da hora. Acorda diva!!”.

Acordo no meu barco com uma sensação estranha no corpo. Algumas palavras da Kami ecoam em mim… “Escreve no diário para modelar o presente”.. Assim que abro os olhos vejo que a tal luz deslumbrante era apenas o sol do meio-dia entrando pela janela para me dar um tapa bem na minha testa. Ainda meio dormida, noto que estou completamente pelada que nem no sonho, mas não me surpreende porque logo lembrei que é assim que eu costumo dormir. Me sinto de um pulo ao lembrar o desafio que preciso resolver hoje. Agora acordei de vez, sim; sem pensar duas vezes tiro da gaveta minha antiga caderneta pra botar ordem nessa bagunça da cabeça.


Diário de Bordo da Capitã:

Querido Diário, hoje se apresenta um dos maiores desafios que existem para mim. Como vovó já dizia,”Vamos desabafar de calcinhas arriadas” (literal e metaforicamente, no caso) Respira… cadê o botão de respiração? Não faço ideia de como encarar a missão que o destino me impus (pior que o tal destino que me enfiou nessa fria, fui eu mesma).

Estou me fazendo de boba e nem falei em que consiste o tal desafio né, meu querido confidente? É que é tão ridiculamente simples que me dá até um sei lá o que de chamá-lo de entrave, viu? Mas tá! Chega de enrolação, após essa introdução toda estou pronta para me confessar:

O problema não sou eu, são eles – calma aí que não tô pedindo divórcio coletivo, não, hein – Nem é que eles tenham um problema, na certa, sabe? Quer dizer: alguns até podem ter, mas não é meu problema… Só seria se alguma das minhas pacientes de terapia holística estiver nessa galera que preciso deixar contente, nesse caso o problema dela também viraria meu problema; mas deixa pra lá esse papo furado, estou perdendo o fio amarelo.. Seus problemas ou falta deles não tem nada a ver com o meu pepino. Não é que eles estejam errados, entende? É que para realizar meu desafio preciso satisfazer esse povo; só que são muitos, entende? Com certeza vão querer coisas diferentes, tá ligado? impossível satisfazer todo mundo num ato só…

-Deixa quieto, vai! Seu Diário safado! Tira a trança grupal da tua cabeça de papel reciclado, não estou nem aí para o pornô (hoje).

Ainda nem falei qual é o tal desafio, né Diário? Pelo menos já sabe que é para satisfazer um grupo e tanto, é que é tão bobo que me dá até um, sei lá, de apresentá-lo de questão: Lá no grupo da Taverna do Leitor, a gente inventou de fazer o Clube da Escrita, e o teste que eu mesma propus é escrever comédia, algo divertido… que faça o povo gargalhar, saca?

(o_O)

Ué! escrever Comédia é um desafio, sim! tá?!

Olha aqui! Seu pedaço de papel reciclado! Ninguém te deu o direito de me julgar ou dar risada da minha cara, tá?! É tão normal eu ficar apavorada por não saber o que escrever para fazer o povo rachar o bico, quanto é normal eu ficar discutindo com um caderno de papel! Afinal, até o próprio Superman treme que nem gelatina do bufê no trem só de ver uma pedrinha verde.

Aliás, não era para me julgar, não! Cada um tem seus testes de fogo, né? O herói mais foda de todos, Saitama, literalmente derrubou o meteoro de um soco só; mas ganha crise existencial se perde a promoção no supermercado.

Chega de papo. Hora de resolver o negócio do desafio:

Talvez a galera do anime até curta piada do One Punch, mas a Louca dos Romances vai sempre preferir rir com alguma cena dum príncipe inglês, de cuecas, achado flagrante no guarda-roupa do namoradinho… Não deixa de ser engraçada a história gay de ser pegada no flagra mas acho que não dá para contar aquela noite que o noivo da minha amiga chegou de madrugada, e ficou na rua a noite toda por não querer interromper a gente que estava transando aos gritos e risadas desaforadas dentro do quarto. Aliás acabei de contá-lo e nem é tão divertido assim, menos para o coitado que já de manhã bateu a porta pedindo desculpas pela interrupção, mas já queria se deitar porque estava com frio e sono.

Tirando o dramão, para quem não fosse eu, essa parada de escrever piada nem seria tão difícil assim, barbada; divertido até. Pior que eu sou Eu, sim! Sem querer me gabar disso, eu sou uma guerreira que aprendeu a fazer caipirinha dos limões da vida! Mas, por incrível que pareça, escrever comédia é pra mim mais difícil do que enfrentar um dragão! (É olha que já enfrentei sim) Essa quest era para ser mamão com açúcar para mim que sou o pacote premium. Como a Fênix, eu já morri e renasci, poxa!

Falando em desafios! Senta aí, nem te conto o perrengue de treino ninja, nível mestre samurai, que cai anteontem: Eu vinha toda leve e contente por ter tido um encontro cedo com uma amiguinha que amo (e que me tem caidinha por ela, mas nem pode imaginar, tá? – Já você sabe, eu consigo me apaixonar fácil demais, e ela é areia muito fina pra o meu caminhão pirata).

Não é que eu vi o irmão dela (não dela, minha amiguinha), de “Ela” (com E maiúsculo, você sabe bem de quem eu estou falando).

Daquele fatídico dia em que o intrometido ficou bisbilhotando uma carta minha para a sua irmã, a gente não pode nem se ver. Dona mãe dele precisava ensinar esse espécime a respeitar a privacidade alheia!

Então… ‘Ela’ estava escondendo do irmão o fato de que tínhamos voltado a nos falar. Mas o universo conspirou para a notícia chegar a seus ouvidos de parte de uma pessoa que não posso dizer o nome mas começa com “T” (uma Tal de amiga dela)… Eu não sou quem para chamar ninguém de fofoqueira, mas acho que não era para ficar falando do segredo alheio, né? Quem sou eu para julgar? A pessoa que está expondo a vida alheia, só. Hipocrisia mandou lembranças.

Aquele figurante da minha vida me odeia por puro preconceito, sabe? Desde o dia que o observador indiscreto viu no telefone da irmã o contato: “minha bruxinha”. Fazer o quê? Faz parte, né? Ainda tem muito ignorante por aí que pagaria para nos ver arder na fogueira; no final ninguém agrada a todo mundo. Até Jesus foi crucificado.

Assim que me viu ficou me encarando feio. Ainda bem que nós somos pessoas adultas e civilizadas, e conseguimos ter uma conversa madura, como Deus manda. Foi mais ou menos assim:

-“Vocês ainda se falam! Você é uma mentirosa!”, -“Eu não minto, não, a gente voltou a se falar, sim”, -“Você é manipuladora”, -“Manipulador é você!”, -“pois saiba que não sou!” , -“pois saiba que é! E pretende controlar a vida da sua irmã!”, -“Não gosto de você, sua garota burra, e não quero que volte falar com minha irmã!”, -“me chame de senhora, meu bem”, -“sou seu bem, não, e já falei o que eu quero”; -“infelizmente eu também não gosto nem um pouco de tipos como você, e não estou nem aí do que seja que você queira ou deixa de querer, meu bem, tá? Mesmo assim eu até queria aceitar você de amigo porque sua irmã pediu para mim de a gente se levar melhor, e saiba que eu sou capaz de qualquer coisa para vê-la um pouquinho mais feliz” (suspiro… até te aturar, infelizmente, pensei). Um mosquito se pousando na sua testa interrompeu o prolongado silêncio antes dele responder sarcástico: -“ah! é meu sonho te ter como amiga!” meu rosto se iluminou e brilho apareceu nos meus olhos quando eu disse: -“obrigaada!” com um grande sorriso nos lábios roxos. Ele, meio traumatizado com a ideia de um abraço meu, fez careta como quem enganado botou sal no café da manhã, e virou de costas bufando embravecido -“depois não reclama por ser chamada de burra… meu sonho, imagina só!”.

Lembrando com sádico deleite daqueles sonhos úmidos que ele realmente teve comigo, repassei mentalmente o ditado que diz “prazer da nobreza se passar de tola para os olhos de um néscio”. Crianças… só lhe faltou me mostrar a língua e sair correndo feito um babaca.

Tirei o espelhinho da bolsa, retoquei o batom e rindo comigo, segui rebolando pro meu caminho. “Antes morta que basicona”.

Voltava toda empoderada e metaforicamente flutuando nas nuvens, pelo encontro de mais cedo com minha amiguinha, quando vejo uma mensagem da Kumi (de quem há um ano nem tinha notícias). Peraí, querido Diário, preciso te apresentar melhor essa figura exótica. Para isso, voltemos alguns anos no tempo:

Apesar de viermos de universos completamente diferentes, do primeiro dia soubemos nos reconhecer como irmãs de alma. Ela é uma das pouquíssimas feiticeiras que me demonstraram chegar à minha altura (ou perto).

Naquela época, por uns perrengues que merecem um capítulo à parte, a gente dividia uma barraca de campanha que era um arco-íris de remendos com cheiro de terra molhada misturado com o aroma adocicado dos incensos. Bem no meio do mato, lá nas serras.

Só que dessa vez a gente tinha se encontrado uns quilômetros dali, no vilarejo. Estávamos nos refugiando de um baita temporal, enfiadas num quiosquezinho onde eu guardava o meu PC e uns bagulhos que não dava para ter na barraca.

Eu poderia até bancar a sábia mística e dizer que naquela hora eu lembrava dos ensinamentos do Mestre Mago Silencioso, que apesar de todo o seu poder, preferia andar na chuva a incomodar os elementais para fazê-la parar. Mas a verdade nua e crua é essa: A lição de não mexer com o clima, eu já tinha até aprendido… mas eu não tava nem um pouco afim de lavar meu karma, não! Não ia tomar banho de graça, de jeito nenhum.

Eu estava na paz do “já era”: ia ter que passar a noite toda naquele cubículo malcheiroso, que nem dava para esticar as pernas, entre caixas e bagunça, com a Kumi. Já até estava escolhendo anime para assistir no PC, quando olho para o lado…

Lá estava a Kumi de olhos arregalados, fazendo uma cara de quem estava prestes a salvar a ordem do universo, sussurrando uns mantras em uma língua esquisita para os Ets (Arktudianos, para ser mais exata). Mexeu as mãos num gesto tirado da Marvel ou Naruto e… Silêncio… a chuva simplesmente sumiu, parecia mágica… bom, era mágica, né?

Pode até parecer normal para você que mora aí no mundo das fantasias, né, meu querido Diário? Lá todo mundo faz milagres, cria objetos do nada ou muda o clima como quem troca cueca por calcinha. Mas aqui nesta realidade é raro até alguém acreditar que isso é possível, quem dirá fazer acontecer! Mas vai sabendo que sim, a gente faz acontecer, sim. (⁠/⁠¯⁠◡⁠ ⁠‿⁠ ⁠◡⁠)⁠/⁠¯⁠

Saímos de lá rindo de mãos dadas, feitas duas garotinhas saltitantes. A alegria de estarmos sequinhas era tanta que pulávamos sobre os riachos que já tinham se formado na estrada.

Aqueles anjos do céu estavam bem apertados, parece, pois assim que chegamos na barraca, já não conseguiram segurar e soltaram toda a água de vez.

A verdade é que se a gente morava naquela barraca remendada e sem feches, não era por causa do nosso amor à natureza e aos passarinhos, mas sim porque a gente não tinha nem pra comprar um chiclete mascado. Quem diria que, poucos anos depois, a gente estaria como está? Hoje a história mudou dá água para a leite de coco integral.

Voltando ao futuro: passaram-se apenas uns poucos anos desde aquela noite, quando vejo a mensagem dela: sem rodeios, perguntava se eu já tinha virado milionária. E eu, com a maior saudade daquela barraca mambembe e suja, respondi toda cheia de orgulho que sim, bilionária de carteirinha, até… mas que já tinha torrado aquela grana, fazer o quê né?

E o quê é que tem a ver os alhos com os bugalhos? Por que eu liguei isso tudo com a palavra desafio? Elemental meu caro Watson. Tá na cara que se trata de uma Prova de Fé! Todo mundo sabe que uma pergunta sobre dinheiro aciona logo o modo “me empresta”.

Mas ela é uma grande feiticeira, pode, se ela quiser, vibrar em sintonia com a abundância e criar assim uma realidade onde o dinheiro emprestado volta no tempo certo e ninguém precisa se estressar.

-“Beleza”, respondi eu, -“juros de 0,45% ao dia” (boazinha eu sou, mas trouxa jamais!) E ela, sem pestanejar, disse: -“Fechado! Eu ia até te pagar mais caro, sua trouxa”. O teste de fogo se revelou no tamanho do buraco! Quando eu soube do montante que precisava! Minha Nossa Senhora da bundinha seca! pensei, pula que partiu! É uma quantia absurda, poderia comprar várias daquelas barracas e até o PC… É quase todo o dinheiro que eu tenho disponível, o suficiente para trocar meu barco se eu quisesse.

Mas aí é que tá a pegadinha, né? (Se minha irmã só precisasse de uns trocados, cadê a emoção?). No fundo eu sabia que tinha que confiar.

-“Jura que vai me devolver?” -“Juro”, -“jura pela cachorrinha e aquela planta pela que você passou tanto trabalho?” -“Juro! e juro pela Magia que me guia, que vou devolver tudo, tintim por tintim, com juros e correção monetária na data marcada”. Quase nem me tremeu a voz pra lhe dar o sim. (⁠◕⁠ᴗ⁠◕⁠✿⁠)

Quer saber, meu caro Diário? Voltando ao assunto do desafio de escrever comédia, Relendo aqui, acho estas linhas ficaram bastante hilárias. XD

Até de quebra meio que mostram quem sou eu de verdade… Fechou! A partir de hoje tuas páginas vão virar livro e vou bombar no Wattpad, quer você queira, quer não. Só vou dar uma incrementada com umas jogadas de ficção e fantasia, porque se eu soltar a real crua e sem sutiã, vai parecer surreal demais… ninguém crê.

Feito. (Desculpe qualquer coisa, viu).
Até mais. Beijinhos. Se cuida. S2

PS: Mostrei suas páginas no Clube da escrita e minhas colegas falaram que não é comédia, não… (╥⁠﹏⁠╥)

já viu! Era desafio, sim, escrever a tal comédia. E você que ria de mim…

PS2: Atenção! Daqui pra frente, todas as minhas irmãs bruxinhas terão o codinome: “Kumi”, (não vamos invocar o capiroto pelo nome, né?).

PS4: Aqui eu fiquei toda ansiosa com o coração na mão e a magia brotando pelos poros, pronta para embarcar na aventura do próximo capítulo: Vamos fazer uma viagem de volta aos tempos de faculdade, quando a magia ainda era apenas um sonho distante e o tempo corria livre e desimpedido. Aquele momento em que tudo começou. (Tipo, antes disso eu até passava por “alguém normal”). Vamos navegar numa época de descobertas, desafios e, é claro, muita magia. No próximo capítulo, vou te contar como uma simples estudante consegue se transformar em uma feiticeira capaz de frear o tempo. Prepare-se, meu querido Diário, porque essa história promete! (e talvez revele alguns segredos que nem eu imaginava revelar).

PS5: esqueci o que ia no PS3 (talvez eu lembre no próximo capítulo e até adicione umas dicas especiais).